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Roger e Elaine

Posted by Coutinho em 1 abril, 08

A Diferença Entre Homens e Mulheres

Vamos dizer que um homem chamado Roger sente-se atraído por uma mulher chamada Elaine. Ele a convida um dia pra sair para jantar; ela aceita; eles se divertem muito. Algumas noites depois, ele a convida novamente; e mais uma vez, eles adoram sair juntos. Eles continuam a sair regularmente e algum tempo depois nenhum dos dois quer mais sair com nenhuma outra pessoa. Estão namorando.

Então, uma noite, no carro indo para casa, um pensamento surge na mente de Elaine, e sem pensar, ela diz em voz alta: “Você sabia que hoje faz seis meses que estamos juntos?”

E tudo o que resta no carro é silêncio.

Para Elaine, parece um silencio muito alto. Ela pensa: Será que ter dito isso incomodou ele? Talvez ele venha se sentindo sufocado por nosso relacionamento; talvez ele ache que eu estou forçando ele a algum compromisso mais sério que ele não quer, ou não tem certeza se quer.

E tudo que Roger está pensando é: “Caralho! Seis meses…”

E Elaine continua pensando: Mas, ei – pera aí!- eu também não sei se é esse tipo de relacionamento que eu quero. Às vezes eu quero mais espaço pra mim mesma, até para poder pensar se quero continuar assim como estamos, indo em direção a… a… Quer dizer, pra onde estamos indo?? Vamos continuar nos vendo e mantendo a intimidade? Vamos nos casar? Ter filhos? Uma vida juntos? Estou pronta para esse nível de compromisso? Eu sequer realmente conheço esse cara??

E Roger pensa: Bem, quer dizer que… vejamos… setembro começamos a sair… eu tinha acabado de comprar o carro… isso significa… quantos Kms já rodei? Nossa! Já passou da hora da revisão… trocar o óleo, ver as correias…

E Elaine pensa: Ele ficou chateado Dá pra ver pelo olhar dele. Talvez eu esteja entendendo tudo errado. Talvez ele queira mais de nossa relação, mais intimidade, mais compromisso…talvez ELE tenha sentido antes de mim que eu estou tendo reservas. É. Eu aposto que é isso. Por isso ele reluta tanto em falar de seus próprios sentimentos. Ele tem medo de ser rejeitado.

E Roger está pensando: E preciso mandar olhar a transmissão de novo. Não importa o que eles digam, ainda não tá entrando a quarta direito. E é melhor que eles não tentem colocar a culpa em mim de novo. Todo carro que eu dirijo as marchas entram direitinho. E esse aqui parece um caminhão de lixo de tão barulhento. E paguei muito caro da última vez.

E Elaine pensa: Ele está com raiva. E eu não posso culpá-lo. Eu estaria com raiva também. Ai, eu me sinto tão culpada….fazendo ele passar por isso tudo. Mas não posso evitar de me sentir assim. Eu simplesmente não tenho mais certeza de nada.

E Roger pensa: Eles vão falar que a garantia era só de 90 dias… idiotas.

E Elaine pensa: Talvez eu seja muito idealista esperando pelo meu príncipe encantado chegar em seu cavalo branco, enquanto estou aqui ao lado de uma pessoa ótima, que me faz sentir bem, de quem eu gosto, uma pessoa que demonstra realmente gostar de mim. Uma pessoa que agora está sofrendo por causa das minha fantasias colegiais egoístas.

E Roger pensa: Garantia….é melhor que eles não digam nada dessa merda de 90 dias ou então eu….

– “Roger,”, diz Elaine.

– “O quê!?” pergunta Roger, assustado.

– “Por favor não se torture assim,” diz ela, com olhos começando a lacrimejar. “Talvez eu não devesse ter… Oh meu Deus… eu me sinto tão…” (ela então começa a chorar e soluçar.)

– “O quê?” pergunta Roger.

– “Eu sou uma tola,” Elaine soluça “quer dizer, eu sei que não tem príncipe, eu sei, eu sei. Nem cavalo. Eu realmente sei disso tudo… nunca vai ter um cavalo branco..”

– “Não tem cavalo?” pergunta Roger.

– “Você me acha uma tola não é?” pergunta Elaine.

– “Não!” responde Roger, feliz por finalmente ter acertado uma resposta.

– “É só.. só que..Eu preciso de um tempo,” diz Elaine.

Há uma pequena pausa de 15 segundos enquanto Roger deixa de pensar no ponteiro da gasolina e – pensando o mais rápido que pode – escolhe uma resposta que lhe parece ser a mais segura, mas insignificante: “Sim.” diz ele.

Elaine, profundamente emocionada, toca suas mãos e diz – “Oh, Roger, você realmente pensa assim mesmo?”

“Assim como?” pergunta Roger.

“Sobre o tempo.” diz Elaine.

“Oh,” diz Roger. “Sim.”

Elaine o encara olhando fundo em seus olhos, fazendo com que ele fique nervoso e ansioso sobre o que ela vá dizer em seguida, especialmente se tiver algo a ver com cavalos de novo. Finalmente ela diz:

“Obrigada, Roger.”

“Obrigado Elaine” diz Roger sem entender patavina.

Ele a deixa na casa dela, onde ela se atira na cama – uma alma torturada, conflituosa – e chora por uma hora. Mais tarde, ela pega um DVD romântico, faz uma panela de brigadeiro, pega um pote de sorvete no freezer e chora em frente a TV até o amanhecer, sentindo-se a pior de todas mulheres, a mais solitária, a mais cruel.

Quando Roger chega em sua casa, abre um pacote de Doritos, pega uma cerveja na geladeira, senta no sofá e liga a TV. Imediatamente fica envolvido pela partida de futebol que está sendo reprisada entre dois times da 3ª divisão da Espanha. Uma pequena voz no fundo de seu subconsciente diz a ele que algo grande e importante estava acontecendo antes no carro, mas como ele tem certeza de que nunca vai entender o que se passou, ele decide que é melhor não pensar sobre isso.

No dia seguinte, Elaine liga para sua melhor amiga, ou talvez para duas amigas, e elas falarão sobre essa situação por seis horas. Com detalhes dolorosos, elas vão analisar cada coisa que ela disse, revendo e reexaminando tudo, cada expressão, cada palavra, cada gesto, procurando por nuances de significado, considerando cada possível ramificação. Elas continuarão discutindo esse assunto por semanas, talvez meses nunca chegando a uma conclusão definitiva – mas nunca desistindo também.

Enquanto isso, Roger estará um dia jogando sinuca com um amigo que conheceu Elaine na infância, e antes de mandar a bola 7 para a caçapa do meio ele vai parar e perguntar:

– “Júlio, Elaine tem algum trauma com cavalos?”

-“Por quê?”

-“Não sei bem, mas acho que ela esperava ganhar um de presente de seis meses de namoro…”


Adaptado de texto de Dave Barry.

Uma resposta to “Roger e Elaine”

  1. Núbia said

    hhehehe… adorei o texto… e me pareceu bem direto!

    Beijos

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